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Published on Julho 12th, 2017 | by festmag

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NOS Alive 2017: nunca parar de sonhar

Terminou mais uma edição do NOS Alive no Passeio Marítimo de Algés, espaço que se encheu de gente para um cartaz cheio de grandes nomes que regressaram ao nosso país. Tal como desejamos nos sonhos bons The xx, Royal Blood, Foo Fighters ou Fleet Foxes foram alguns dos mais desejados e vividos concertos desta edição esgotadíssima.

O palco principal do NOS Alive abriu com os portugueses You Can’t Win Charlie Brown que, apresentando “Marrow”, editado no ano passado, conseguiram reunir a atenção de muitos festivaleiros numa altura em que o recinto começava a encher. Seguimos para o Palco Heineken, o segundo maior do certame, para ver Rhye que, não editando um longa duração desde 2013, apresentaram dois temas novos. “Please” e “Summer Days”, com a sonoridade aconchegante e sedutora fizeram as delícias daqueles que já compunham a tenda, a par dos quase clássicos de “Woman”. Bola novamente no palco grande e os Alt-J, cujas músicas soam bem em qualquer sonho lindo, confirmavam porque é que tinham passado este ano ao palco principal. Melodia doce, experimentalismo  envolvido em letras bonitas, e o por-do-sol a abençoá-los, tiveram o relvado sintético aos seus pés. E como soaram bem os novos temas de “This Is All Yours”. Sucederam-lhes os franceses Phoenix, rapazes que já editaram uma mão cheia de hinos do melhor indie rock dos últimos anos e que regressaram ao festival onde tocaram em 2013, desta feita para apresentar “Ti Amo”, embora o que nós amamos mesmo são malhas como “Liztomania”, “Lasso”, “1901” e “Entertainment”.

Seguia-se Mr. Ryan Adams que com a sua Gibson Flying V mostrou logo ao que vinha com a roqueira e deliciosa “Do You Still Love Me?”. Aqui os sonhos são mais psicanalíticos e, em linha com a recente abordagem dos seus discos, Ryan Adams exultou a urgência do rock depois de interpretar a nova “Outbound Train” exclamando “People still believe in rock’n’roll, they still fucking believe!”. Com um palco decorado com diversas televisões que populavam nos lares no século passado e peluches de felinos, houve ainda lugar para temas mais introspetivos de discos como “Gold”, num dos melhores e mais bonitos concertos do festival. Enquanto isso já as batidas que Jamie XX debitava no palco principal se faziam ouvir. Melhores do que nunca, com um à vontade jamais observado nas suas várias passagens por Portugal e com um som como raramente o NOS Alive consegue oferecer, os The xx ajudaram a tornar real um dos melhores sonhos vividos desta 11.ª edição. Profundamente entregues aos seus instrumentos mas também ao público, percorreram os temas dos seus três discos originais de forma mais ou menos equilibrada e foram totalmente arrebatadores.

O que se seguiu no Palco Heineken foi uma sova de rock com os Royal Blood a mostrarem a boa banda que são em cima dum palco. Frescos de terem tocado para a multidão do mítico Glastonbury e com o último “How Did We Get So Dark” a atingir recentemente o número um das vendas em Inglaterra, a banda está no pico da forma. Uma tenda à pinha, um sentimento partilhado de êxtase, uma energia realmente palpável, uma dupla que está realmente on fire e temas que, não sendo a coca-cola no deserto, são bem construídos, imediatos q.b., possuindo acima de tudo energia a rodos e riffs contagiantes. O duo de Brighton foi percebendo aos poucos que este não era um concerto como outro qualquer, partilhando o que lhes ia na alma, espantados com tal receção e com o ritmo alucinante do concerto. O melhor festival?

No palco principal The Weeknd mostrava que este festival dá para todos os gostos e que a discreta vinda há uns anos ao Primavera Sound não fazia antever que o seu R&B haviam de fazer exultar uma plateia tão vasta. Com a tónica toda colocada em si próprio, abafando a banda que excelentemente o acompanha, Abel Makkonen Tesfaye fez as delícias da multidão. Nós, sinceramente, já gostámos mais. E também apreciámos o inglês Simon Green, mais conhecido como Bonobo, que proporcionou um bom espetáculo sonoro e visual, baseando-se no último “Migration”, aparecendo acompanhado com banda e vocalistas, dando assim outra consistência aos temas apresentados. Que bonito foi.

Para o segundo dia, sexta-feira, estava guardada uma das bandas mais esperadas da edição deste ano do festival. Querem uma banda que seja capaz de dar um concerto de uma hora e pouco, daqueles que deixam toda a gente bem disposta, com malhas rock, energia e boa disposição a rodos? É convencer Dave Grohl a falar um pouco menos – embora seja adorável perceber o quão contente ele está em cima dum palco – e toda a banda a cortar a gordura (aquelas menos boas) et voilá: seria incrível. Assim é a espaços muito bom, genericamente bom e por vezes meio chato assistir a duas horas e meia de Foo Fighters que por vezes em uníssono com o público ou até em dupla com Alison Mosshart dos The Kills passaram pelas intemporais “My Hero”, “Monkey Wrench”, “Best of you” ou “Everlong” já mesmo no finzinho. Prometeram não demorar tanto a voltar. O público deseja o mesmo.

E como todos se estavam a guardar para eles foi com certa impaciência que o público escutou os The Kills, que há uns anos, no Palco Heineken, tinham dado um concerto memorável. Aqui foi apenas bom, porque os The Kills são mesmo bons, mas a dimensão do palco e o recente concerto no Coliseu não permitiram que nos enchesse o coração. Ainda assim, a dose de rock que imprimiram à noite, após os clássicos The Cult, foi naturalmente apreciada.

Já durante o fim da tarde as mulheres haviam rockado no Palco Heineken. As Savages provocaram a desordem e o caos costumeiros num concerto bem rasgado passando impecavelmente o testemunho às Warpaint, as raparigas mais cool e boa onda do festival que nos trouxeram “Heads Up”. No palco NOS Clubbing, uma seleção portuguesa de luxo mostrava que a música nacional anda em tão boa forma que permite um alinhamento incrível. As manas Pega Monstro eletrificaram a tenda, mostrando uma vez mais que esta noite era das mulheres.

Ao terceiro dia os pés estão espapaçados. São muitos os quilómetros percorridos entre palcos e de regresso à cama mas há ainda muitas horas de concertos pela frente. As t-shirts envergadas não deixam enganar que este volta a ser um dia que gira em torno de mais uma banda “grande” cumprindo-se assim o sonho dos que nunca os perdem em concertos em solo nacional ou dos mais jovens que já ouviram muito falar da máquina em palco que são os Depeche Mode mas que nunca tiveram oportunidade de os ver. Mas já lá vamos. Antes os Kodaline e os Imagine Dragons provaram que sabem bem o que fazem, quer em disco quer neste tipo de festivais, deixando a seus pés o público mais jovem. Seja pela entrega em palco, pelas letras com quem facilmente se podem identificar, são ambos fenómenos interessantes das andanças festivaleiras.

No palco secundário dois dos nomes da cena indie faziam as delícias da malta das tote bags. Os Spoon encerravam por agora a tour de “Hot Thoughts”, editado este ano, relembrando a ligação com o público português e que em novembro voltam já a Lisboa e ao Porto. Os Fleet Foxes, agora sem J. Tillman (Father John Misty pisou o mesmo palco o ano passado), matavam a sede a muitos fãs. O regresso aos discos e aos palcos foi das melhores coisas que o Alive 2017 ofereceu. Um concerto de alinhamento perfeito onde não faltaram “Mykonos”, “White Winter Hymnal” ou “Helplessness Blues mas também as grandiosas e mais complexas canções de “Crack-Up” recentemente editado.

Os britânicos Depeche Mode eram efetivamente um dos nomes mais aguardados de todo o festival não tendo gorado as expetativas daqueles que os acompanham há vários anos nem dos que os experimentavam pela primeira vez. Sempre uns Senhores em cima dum palco, seja pelas peculiares projeções que aliadas a eficientes jogos de luzes criam um ambiente único, seja pela polarizadora prestação de Dave Gahan. A banda deu um belo concerto com um alinhamento que privilegiou o último “Spirit” e os já habituais “Songs of Faith and Devotion” e “Violator”. São como o algodão de que se fazem os sonhos doces: nunca enganam.

O NOS Alive regressa ao Passeio Marítimo de Algés nos dias 13, 14 e 15 de julho de 2018.

Texto: Alexandra Silva e Pedro Guimarães | Fotografias: André Cardoso (galeria completa no facebook da Festmag)

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