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Published on Julho 17th, 2017 | by festmag

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SBSR 2017: a música autêntica não tem género

Do rock à séria à eletrónica minimalista, música portuguesa e brasileira, hip hop e até jazz, o Super Bock Super Rock mostrou um rol de nomes que apontam aos diversos estilos musicais. Red Hot Chili Peppers, Future, Deftones e Fat Boy Slim foram alguns dos protagonistas do festival.

Na sua nova versão mais urbana, que decorre no Parque das Nações, o Super Bock Super Rock não abandonou o estilo musical que há 26 edições lhe dá nome. Foi, pois, com o pé no pedal que arrancámos ao som dos brasileiros Boogarins que têm arrecadado um bom conjunto de fãs pelo nosso país, encantados com a psicadelia dos autores de “Lá vem a morte”. Para fugir a ela também os The Orwells, que se lhes seguiram fintaram os instrumentos e o público das primeiras filas revelando um tremendo jogo de cintura para estas andanças dos festivais. Com uma estreia promissora no nosso país não devem tardar a voltar.

Kevin Morby é o autor de um dos discos mais acarinhados deste ano na cena independente, por isso “City Music” (o disco e o tema homónimo) foram muito bem recebidos no palco localizado debaixo da pala do Pavilhão de Portugal. A passagem pelo disco mais maduro da sua carreira pós Woods arrancou suspiros e ovações. No mesmo palco The Legendary Tigerman apresentou “Misfit” que só sai no ano que vem mas que já nos deixou a salivar pela audição completa do registo gravado no Rancho de La Luna.

De todo o cartaz da edição deste ano, o nome mais desejado pelo público eram os californianos Red Hot Chili Peppers, bastando para tal (tentar) contar as t-shirts que passeavam pelo Parque das Nações no primeiro dia do festival. Não era faceta fácil assim como não deve ter sido fácil substituir Jon Frusciante como o senhor dos riffs enviesados e saltitantes da banda. Josh Klinghoffer é agora o dono da guitarra (até são fisicamente parecidos) e sai-se bem no papel. Flea continua elétrico como sempre e parece que a idade só passa de vez em quando por Anthony Kiedis. A preponderância no alinhamento foi dada ao último registo com as inevitáveis passagens por clássicos de “Blood Sugar Sex Magik” e “By The Way”. Contas feitas foi um bom concerto duma banda que, apesar de ter tido o seu fulgor criativo noutros tempos, está longe de envergonhar a sua herança quando sobe a um palco.

No segundo dia do SBSR não houve muito rock e a música passou por outras coordenadas. Pusha T, Slow J, Akua Naru e Future e ainda o projeto Língua Franca, reuniram os beats com a palavra desencadeando aquilo a que muitos já começam a perguntar se é a música do futuro. E porque o festival se faz de palco em palco, a paragem no Meo Arena para ver e ouvir os The Gift levou-nos à apresentação ao vivo, quase na íntegra, do mais recente disco da banda de Alcobaça, que já tinha sido considerado por nós como um dos melhores deste ano. A banda apresentou a energia de sempre, levando a que a arena se transformasse em pista de dança durante os mais conhecidos “Big Fish” e “Clinic Hope”. A crueza de “Love Without Violins” foi um dos pontos altos da atuação, apesar de uma hora ter sabido a pouco para o grupo que passou grande parte dos últimos meses a afirmar-se além fronteiras. Como prenda para os mais fãs, houve ainda (pouco) espaço para os clássicos, como o longuíssimo e icónico “Singles”. O testemunho foi passado a London Grammar e a delicadeza da voz de Hannah Reid, a par do cenário simples e idílico que serviu de pano de fundo, mostraram como esta foi interessante aposta. 

Ao terceiro dia o Parque das Nações voltou a ficar povoado de t-shirts de uma banda cujo passado pesado (em amplos sentidos) se sente ainda em Portugal. Trata-se da banda que melhor soube sobreviver – leia-se desmarcar e evoluir – a todo o movimento nu-metal que explodiu em meados dos anos noventa, isto porque os Deftones têm vindo a editar discos consistentes, nunca se tentando repetir. O que se passou na MEO Arena foi um autêntico petisco para os fãs da banda numa sala que estava longe de se apresentar cheia. Cedo se percebeu que seríamos “alguns” mas bem bons. Um alinhamento que estranhamente colocava o último “Gore” em segundo plano com apenas a bonita “Phantom Bride” a ser tocada (facto relacionado com o reconhecido descontentamento de Stephen Carpenter quanto às partes de guitarra do disco?), privilegiando os três primeiros discos. Chino Moreno fartou-se de passear pela grade e provavelmente ainda terá as marcas do abraço apertado e demorado que uma fã lhe deu. Foi um alinhamento quase perfeito (faltou “Tempest”) ao qual se impunham mais uns 15 minutos, afinal, era uma banda anunciada como cabeça de cartaz. 

Seguiu-se Fatboy Slim que levou o lema “Eat, sleep, rave, repeat” à letra tal a redundância de ritmos e ambiente criado, fazendo por isso jus à catch phrase,  dada a sonolência que tudo aquilo gerou. Muita parra e pouca uva, reconhecendo-se mérito para fazer bem mais e bem melhor, mesmo que estivesse no registo de DJ set. Não chega aqui e ali colocar uns snippets de temas bons e conhecidos, se a massa sonora que está por trás se destina apenas a por o pessoal aos saltos enquanto vai ao bar comprar a próxima garrafa de água. Completamente inócuo. 

A marcar o último dia de concertos no SBSR destacou-se ainda um dos melhores concertos da edição: os TaxiWars, liderados por Tom Barman, frontman dos dEUS e que já na edição do Vodafone Mexefest haviam demonstrado que apesar da base jazzística – baste ver bem a composição da banda – sabem bem rockar um palco. “Egyptian Nights”, “Bridges” ou “Fever” mostraram o quanto queremos esta banda nas nossas vidas. O palco EDP ainda recebeu Silva, com vista para o rio e Seu Jorge num tributo a Bowie bastante intimista com Life Aquatic também a servir de habitat. Mas era na Meo Arena que estavam todas as emoções.

O Super Bock Super Rock regressa para o ano nos dias 19, 20 e 21 de julho.

Texto de Alexandra Silva e Pedro Guimarães | Fotos oficiais SBSR2017

Os nossos agradecimentos à Música no Coração.

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