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Música

Published on Setembro 18th, 2017 | by Daniela Azevedo

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Belém Art Fest: quando a música é oficialmente uma obra de arte

Belém Art Fest, o festival dos museus à noite, decorreu nesta sexta e sábado, dias 15 e 16, em vários espaços museológicos do Bairro de Belém, excecionalmente abertos até de madrugada.

O festival, que já vai na sexta edição, faz uma fusão de música com o património histórico português, numa iniciativa que se torna particularmente atrativa para os turistas mais curiosos que entre um concerto e outro não quiseram perder, no Museu de Arqueologia, a exposição temporária “Loulé: Territórios, Memórias e Identidades” e a mostra permanente “Religiões da Lusitânia”.

Aqui o palco dos concertos obriga a uma subida ao último piso do edifício, na zona de serviços, onde a bonita vista para Belém à noite também atrai muita gente à varanda. Por ali ouviu-se o rock dos King John e ainda Sean Riley & Slowriders, com a habitual colherada do folk e do blues, muito aplaudido na noite de sexta-feira. “This Woman”, tema do álbum de 2009 “Only Time Will Tell”, é ainda uma das músicas que os fãs melhor reconhecem e mais gostam de ouvir ao vivo e não faltou nesta noite fria onde o teto, debaixo do qual atuaram, acabou por ser uma mais-valia. A reta final do concerto incidiu mais no álbum do ano passado, homónimo, de onde faz parte “Gipsy Eyes”, que encontrou alguns casais apaixonados na plateia, e “Dark Rooms”, com o vocalista a ‘ameaçar’ com a despedida que ninguém parece querer. Na seleção musical com que nos brindaram, não foi fácil destrinçar que tema pertencia a que fase da banda, já que Sean Riley & The Slowriders são um daqueles casos sem tempo nem preocupações. E talvez seja essa subjetividade temporal que os torna tão interessantes ao público de primeira viagem e tão cativantes aos ouvidos dos turistas que se renderam a esta festa musical que acontece “à noite no museu”. Muito divertida é também a constante dança de cadeiras entre o baterista e o teclista que se revezam em ambos os instrumentos com um à vontade impressionante.

O claustro do Mosteiro dos Jerónimos, um dos cenários mais bonitos e românticos do festival, recebeu, na primeira noite, os concertos mais intimistas de Valter Lobo e de Tiago Bettencourt. O primeiro, ainda com pouco público, foi especial para o artista de Fafe, sendo que foi a primeira vez que trouxe o disco novo, “Mediterrâneo”, a Lisboa, com foco exclusivo na guitarra acústica e voz. O segundo foi um dos mais preenchidos da noite mas não terá cansado o músico que, horas mais tarde, se divertia entre o público que foi ver a atuação do famoso e premiado internacionalmente DJ Ride.

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No Picadeiro Real ouviram-se Marta Hugon e Jacarés. O local, protegido, ajudou a trazer algum público adicional, graças ao bom ambiente que o próprio espaço inspira. Mesmo na porta ao lado, nos Jardins do Palácio da Presidência, o ambiente já era diferente, com a última sexta-feira do verão de 2017 a deixar bem claro que já não se sai à rua sem casaco. Ali atuaram Trio Edna e os sempre irrequietos Cais Sodré Funk Connection. James Brown é a linha que cose o divertido funk que sai de cada um dos nove músicos que integram o grupo. A vocalista Tamin Santos cumpriu, enquanto Fernando Nobre (Silk) voltou a adotar a desenfreada atitude que o caracteriza, desta feita com o fato à marujo, um ‘dress code’ que reforça a alma louca do funk que, sem segredo, o possui. “Só temos a agradecer ao [professor] Marcelo por nos ter cedido a sua casa”, diz, logo de início, para tentar compensar os friorentos fãs que que anseiam por ritmos frenéticos que revertam a baixa temperatura e o muito vento. ‘Take It Like a Man’, ‘It Takes a Whole Lot of Fun’ e ‘Tell Mama’ foram bons exemplos da receita de sucesso que o grupo segue. O som deles é tão inextinguível. Tão Stax.

De recordar que o Museu da Presidência foi o mais recente a integrar o itinerário do Belém Art Fest 2017. O Museu Coleção Berardo foi a casa da música eletrónica, com as atuações de LOT, Thunder & CO, DJ Ride, DJ JonyDaFox e Dj Dynamic Duo. Para quem não está habituado a estas andanças, DJ Ride é um bom artista para começar com alguns sons facilmente reconhecíveis e uma atuação que sincroniza som e imagem. Tudo é feito em modo ‘live act’.

Valter Lobo
Valter Lobo
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Nota final para os ‘shuttles’ em Mini, a fazerem as deslocações de visitantes entre os vários espaços do festival de forma eficaz e descontraída. No sábado, os concertos estiveram por conta de Rui Veloso, Dead Combo, Meadows, Octa Push, Joana Alegre, Surma, Trêsporcento, Terraza, Sampladelicos e DJ Sue.

Fotos e vídeo de Filipe Pedro.

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