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Música

Published on Novembro 23rd, 2017 | by Pedro Beja Alves

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Festival Lux Interior nasce em Coimbra

Durante três dias a primeira edição do Festival Lux Interior comemorou os 21 anos de música subversiva e do vanguardismo da produtora de Coimbra, Lux Records. Muitos concertos e uma exposição da discografia da produtora desfilaram no Convento São Francisco.

Rui Ferreira é responsável pela Lux Records e pela emergência de quase todas as bandas rock de sucesso em Coimbra.  Este é, portanto, um festival carregado de história, a história da música rock em Coimbra nos últimos anos. Com esta primeira edição, o Convento São Francisco abres as portas a uma nova casa do rock.

No primeiro dia, o festival recebeu The Millions, banda que depois de reunir entre si largos anos de experiências em inúmeros dos melhores projetos da música portuguesa, propõe partilhar os ensinamentos dos mestres do rock, do blues e da soul. Através de um punhado de composições originais, carregadas de uma boa energia, convidam à dança e à exaltação da rebeldia mais pura.

Seguiram-se os Ghost Hunt, um dos mais recentes projetos da cidade e da produtora. Pedro Oliveira e Pedro Chau voltaram à cidade que os viu crescer com o seu primeiro homónimo disco debaixo do braço. Não são um grupo rock convencional; vêem-se e ouvem-se sintetizadores e sequenciadores, mas não se pode dizer também que este duo se encaixe tranquilamente no campo mais familiar da electrónica. É a natureza híbrida destes fantasmas de Coimbra que lhes dá uma identidade particular.

Ao segundo dia, a noite começou com Raquel Ralha e Pedro Renato. Depois de muitos anos e muitos projetos em conjunto, lançaram recentemente o álbum “The Devil’s Choice Vol. 1”, no qual recriam as canções que ouviam na adolescência, de Nick Cave a Nina Simone. Na força da voz de Raquel revisitamos Pixies, The Doors, Pink Floyd, Nina Simone, Nick Cave, The Jesus and Mary Chain ou Siouxsie & The Banshees, e mergulhamos na força da partilha da adolescência.

Sean Riley & The Slowriders vieram para comemorar os 10 anos de “Farewell”, primeiro disco da banda. Num concerto emotivo a banda desfilou os 11 temas que compõe o disco e mais algumas surpresas, entre novas músicas e faixas que ficaram de fora do disco. Na voz de Afonso Rodrigues sentimos a emoção do regresso a Coimbra, após a despedida de Bruno Simões, desaparecido o ano passado.

Coube aos D3O abrir o terceiro dia do Festival Lux Interior. Numa fase de vida em que já nada precisa de ser demonstrado, Tony Fortuna e os seus rapazes, encheram as paredes do grande auditório do Convento São Francisco de riffs e puro rock & roll. O power trio a jogar nitidamente em casa, contínua imponente e com uma destreza invejável, à qual a presença de Fortuna é sem dúvida uma mais-valia, os imensos anos de palco fazem dele um autêntico showmen. A rodarem o “Love Binder”, lançado pela Lux Records em Setembro último, os D3O agora que voltaram à formação original, não deixam nada ao acaso, é tudo puro, é tudo pela paixão à música, doa a quem doer.

Assistir a concertos comemorativos é sempre bem interessante. Como se, de repente fossemos de encontro a algo que é fácil de imaginar, mas sem nunca termos a certeza do que na realidade vai acontecer. Foi o que se sentiu no sábado com festa chamada “Mutantes S21″. O mítico álbum de 1992 é o mote para uma digressão que anda já há algum tempo na estrada e que prova sem qualquer medo que os Mão Morta são provavelmente a banda mais eficiente que há pelas terras lusas.

Numa noite em que Adolfo Luxúria Canibal não esteve propriamente ao seu melhor nível, foram passeando pelo disco fora: “Marraquexe (Pç. das Moscas Mortas)”, “Paris (Amour A Mort)”, “Istambul (Um Grito)” dando longo um aquecimento intenso a toda a sala. Seguiu-se “Velocidade Escaldante” enquanto se projetavam intensas ilustrações de Esgar Acelerado, com “Budapeste (Sempre a Rock & Rollar)”, o hit single de uma carreira, e voltamos a “Mutantes S21″, para logo de seguida se ouvir, “Berlim (Morreu a Nove)”, “Amesterdão (Have Big Fun)”, “Barcelona (Encontrei-a na Plaza Real)” e para tudo terminar ao som de “Lisboa (Por Entre as Sombras e o Lixo)” com projeção de ilustrações de Marco Moura. Chamados novamente ao palco, os Mão Morta tocaram mais três tema, o belíssimo “Tiago Capitão”, o elétrico “Fazer de Morto” e o clássico “Bófia”.

Os Mão Morta são daqueles nomes que não precisam de artimanhas ou qualquer espécie de subterfúgio para tentaram cativar mais ou melhor público. A sua longa carreira, a qualidade da sua música e requinte dos seus intérpretes basta para se afirmarem como uma das mais sublimes bandas dos últimos 30 anos.

Numa cidade onde se insiste muitas vezes no eterno cliché “nada acontece por aqui”, a Lux Records desmente e contraria as vozes mais teimosas e as mentes mais fechadas. Que o Festival Lux Interior venha para ficar, sempre maior e melhor.

Fotografia de António José Antunes

Os nossos agradecimentos ao Convento São Francisco e a Lux Records.

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