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Música

Published on Novembro 9th, 2017 | by Pedro Guimarães

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Moonspell no Lisboa ao Vivo: Catarse eterna

Os Moonspell deram nos finais de outubro início à digressão promocional de “1755” com dois concertos no Lisboa ao Vivo, atuando no dia seguinte no Hard Club. “1755” é um disco conceptual, sendo o papel principal atribuído aos desastres naturais que assolaram Lisboa nesse fatídico ano. O tom catastrófico e épico do álbum foi transportado com mestria para cima do palco, numa noite que dificilmente cairá no esquecimento de quem a presenciou. 

A expectativa era elevada, tanto em relação ao disco mas também à sua transposição para o palco. Ainda a poeira da extensa digressão de promoção a “Extinct”, que – sem exagero – levou a banda aos quatro cantos do mundo, não tinha assentado  e já os Moonspell anunciavam a edição de “1755”. No entanto “1755” não foi anunciado como “mais” um disco da maior banda portuguesa de metal. Era o primeiro cantado na íntegra em português e tratava-se dum disco conceptual, assinalando – não celebrando, como Fernando Ribeiro fez questão de referir a meio do concerto – os desastres naturais que destruíram nesse ano do século XVIII. Ao terramoto seguiu-se um maremoto e os subsequentes incêndios, causando o caos e destruição na capital do nosso país.

Tanto em disco, como no Lisboa ao Vivo na primeira data da digressão “Faz Dia Em Portugal”, os Moonspell passaram o teste com distinção. O tom épico que por vezes encontramos nos registos da banda, ganha aqui outros contornos, principalmente para quem fala a língua de Camões. A produção de “1755” é perfeita, os riffs de Ricardo Amorim estão todos no ponto, dando um tom pesado e claustrofóbico ao disco, ladeados pela toada épica dos teclados e pelo balanço proporcionado pelo baixo de Aires Pereira. Títulos como “In Tremor Dei”, “Abanão”, “Ruínas” e “Desastre” fazem jus à tentativa (conseguida) da banda em compor música que estivesse à altura da importância do evento na história de Portugal. A toada épica e negra de todo o disco, bem como do concerto a que assistimos, transporta o ouvinte para aqueles dias fatídicos, honrando – como Fernando Ribeiro fez questão de referir a meio do concerto – a tenacidade dos habitantes e da nação em resistir ao desastre e ao seu renascimento das cinzas.  

No Lisboa ao Vivo a decoração do palco foi pensada ao pormenor, com figurantes vestidos com hábitos numa  espécie de tribuna localizada por cima da banda, como que trazendo a desgraça com eles e observando as nefastas consequências das suas criações. Também Fernando Ribeiro atuou com uma máscara que deu uma mais valia cénica ao espetáculo. As pessoas que praticamente enchiam a sala lisboeta presenciaram um alinhamento que seguiu à risca o do disco, tendo “In Tremor Dei” contado com a incrível prestação de Paulo Bragança, o Lucifer do fado como Fernando Ribeiro supostamente o chama. 

A “1755” seguiram-se mais cinco temas, entre eles “Everything Invaded” retirado de “The Antidote”, “Night Eternal”, “Extinct” single de avanço do disco anterior, “Em Nome do Medo” (aqui na sua versão inicial) de “Alpha Noir”, o clássico “Alma Mater” de “Wolfheart” e, aquela que continua a ser uma das melhores músicas dos Moonspell e – felizmente – que continua a encerrar os seus concertos, falamos da épica e monstruosa “Full Moon Madness” de “Irreligious”.

Não deve ter havido concerto que os muitos fãs internacionais dos Moonspell mais gostassem de assistir do que à estreia em solo nacional  da digressão de “1755”, um disco que diz tanto a isto que é ser português.

Os nossos agradecimentos aos Moonspell e ao Lisboa ao Vivo.

Fotografias: André Cardoso

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