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Cinema e TV

Published on Novembro 6th, 2017 | by festmag

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Música e cinema de ‘mão dada’ no Muvi 2017

O único festival de cinema específico sobre música em Portugal ‘habita’ novamente o Cinema São Jorge, em Lisboa, durante a quarta edição, de 15 a 20 de novembro de 2017.

Ao todo falamos de 200 filmes de mais de 25 países – entre longas, curtas, vídeos musicais e sessões especiais, algumas com a presença de convidados especiais –, seis concertos, um cine-concerto, três exposições e oito sessões ou apresentações gratuitas.

Odisseias Musicais – 28 longas-metragens em competição

Na competição de longas metragens nacionais, batizada pelo festival de Odisseias Musicais Palco Nacional, a obsessão dos angolanos com o “swagger” é o foco de “Bangaologia” (Sala 3, 21h15, 18.11), do angolano Coréon Dú, Catarina Neves acompanha o processo criativo de Luís Miguel Cintra no regresso do diretor e encenador do Teatro da Cornucópia ao trabalho, lado a lado, com o maestro João Paulo Santos, no Teatro Nacional de São Carlos em “Diálogos ou como o teatro e a ópera se encontram para contar a morte de 16 carmelitas e falar do medo” (Sala 3, 21h15, 16.11) e David Francisco e Nuno Calado partem em descoberta da vida e obra de Jorge Bruto (Capitão Fantasma), diagnosticado com Parkinson há cerca de uma década, no documentário “Fantasma Lusitano” (Sala 3, 21h15, 17.11).

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Na competição de longas metragens internacionais, a chamada Odisseias Musicais Palco Internacional (OMPI), destacam-se, este ano, as propostas brasileiras “Eu, Meu Pai e os Cariocas – 70 Anos de Música no Brasil” (filme de abertura, Sala Manoel de Oliveira, 21h30, 15.11, com a presença da realizadora), de Lúcia Veríssimo, tendo como fio condutor a carreira do maestro Severino Filho, fundador do grupo vocal Os Cariocas, conjunto fundador da bossa nova; “Sotaque Elétrico” (Sala Manoel de Oliveira, 21h30, 16.11), de Caio Jobim e Pablo Francischelli, uma investigação musical sobre a natureza da guitarra brasileira de meados do século 19 aos dias de hoje; “Morena dos Olhos Pretos” (Sala 3, 23h30, 15.11), de Isaac Dourado, que recupera a história de Clemilda, rainha do Forró e da música de duplo sentido, através de depoimentos, lembranças e raras imagens de arquivo; “Clara Estrela” (Sala 3, 23h30, 16.11), de Susanna Lira e Rodrigo Alzuguir, que narra, na primeira pessoa, a trajetória da cantora Clara Nunes; “Minha Boca, Minha Arma” (Sala 3, 23h30, 16.11), de Leonardo Vidigal e Delmar Mavignier, que debate o estado atual do reggae, tema de mais de 100 festivais anuais no Reino Unido, França, Itália, Espanha, Portugal ou Polónia; “Eu Sou o Rio” e “Interlúdio” (Sala 3, 18h15, 17.11), de Anne e Gabraz, com uma fotografia invulgar, apontam para Tantão, músico e artista plástico icónico do underground carioca desde os 80, quando fundou a Black Future, e para Vanessa e Duda, artistas em busca de paisagens sonoras para um novo projeto.

Ainda no plano internacional das Odisseias Musicais encontramos “Queen B, Birth of an Idol” (Sala Manoel de Oliveira, 21h30, 18.11), do francês Nicolas Maupied, sobre Barbra Streisand, da infância complicada em Brooklyn aos musicais na Broadway e a todo o sucesso granjeado pela cantora e atriz; “Solenzara” (Sala Manoel de Oliveira, 18h30, 18.11), de Stephan and Pascal Regoli, sobre a canção corsa solenzara, um êxito nos anos 60 repetido nos 80 graças a Iggy Pop, Emir Kusturica e Goran Bregovic em “Arizona Dream”; “Alacrán Soy Yo” (Sala Manoel de Oliveira, 18h30, 17.11), de Juan Sebastián Alvarez, no qual Santos, o diretor artístico do carnaval cubano luta por manter vivo um lendário grupo de dança fundado em 1908; “Bravo, Viruoso” (Sala Manoel de Oliveira, 21h30, 17.11), do arménio Levon Minasian, um raro thriller de humor negro e muita ação sobre Alik, um jovem clarinetista ‘virtuoso’ que é confundido com um assassino ‘virtuoso’; “Pachamanka” (Sala Manoel de Oliveira, 15h, 18.11), do austríaco Markus Toth, sobre as frágeis dinâmicas de um grupo que existe há mais de 40 anos; “Lute Electric” (Sala Manoel de Oliveira, 15h, 18.11), dos gregos Vassilis Dimitriadis e Mike Geranios, sobre o primeiro alaúde elétrico construído em Creta, ilha dos mil encantos e paisagens que a longa documenta; e “Sagre Balere” (Sala Manoel de Oliveira, 15h, 18.11), de Alessandro Stevanon, que, num documentário apresentado no incontornável Visions du Réel 2017, conta a história do carismático Omar e da sua digressão pelos salões e festas de rua em diversas localidades do norte da Itália.

Sonetos Cantados – 12 curtas portuguesas e 14 internacionais em competição

78.4: Rádio Plutão”, de Tiago Amorim, “Cordas”, de Marta Gomes, “Ecos no Castelo”, de Raquel Gonçalves, “Escola do Rock Paredes de Coura 2016”, de João de Sá, “O Silêncio da Montanha”, de Paulo Lima, “Pôr a Minha Vida no Teu Ouvido”, de André C. Santos, “Por Quem Lá Tendes”, de António Ventura, “Rapsódia do Pandeiro”, de Sara Esteves, “Tu”, de Hugo Pinto, “The Miami Flu Vicious Pill”, de Mário Costa, “Tudo o que Imagino“, de Leonor Noivo, e “Those Who Make It Happen“, de José Dias e Pedro Santana são as propostas portuguesas dos Sonetos Cantados, as curtas-metragens em competição, que podem ser vistas antes das longas em competição.

No palco internacional da mesma secção encontramos “A Retirada Para Um Coração Bruto”, de Marco Antônio Pereira, “A Symphony for Rossini: Il Turco in Italia”, de Monica Manganelli, “Bülbül”, de Işıl Karataş, “Canta Um Ponto”, de Luciano Dayrell e João Paulo Silveira, “De Quando em Vez”, de Jáder Barreto Lima e Rafaella Pereira de Lima, “Eingemauert”, de Daniel Selke e Sebastian Selke, “House Sounds”, de Bruno Ramos Rodrigues, “Mensagens Para Gaia”, de Juliana Cavalcanti e Pablo de Moura, “Music. Coffee. Vinyl.”, de Mike Dobosh, “Music. Life. Passion”, de Vladimir Nepevny, “Misimpressions”, de Sinead Lau, “Ruído”, de Gabraz, “The Accompanying Dancer“, de Johel (Karleener) Miteran, e “Uma Noite Para João Lemos”, de Lipe Canêdo, Ricardo Murad e Pedro Vasconcelos.

Canções Com Gente Dentro – 42 vídeos musicais em competição

As Canções Com Gente Dentro, secção competitiva, inclui 42 vídeos musicais. Desses, 21 integram o palco nacional: 47 de Fevereiro – “In Extremis”, de Augusto Lado, Cassete Pirata – “Pó no Pé”, de Ricardo Oliveira, Debonoir – “Night In”, de Mário Costa, Duquesa – “Better Men” de Miguel Filgueiras, Electric Man – “Electric Domestique”, de Tito Pires, Electric Man – “Mother”, de Pedro Carruna, First Breath After Coma ft. André Barros – “Nagmani”, de Casota Collective, Her Name Was Fire – “Way to Control“, de Tiago Lopes e Pedro Motta, Iguana Garcia – “60KF”, de João Garcia e Gonçalo Moleiro, J-K – “Despedida”, de Adriano Mendes, Mazgani – “The Poet’s Death”, de Joana Linda, Mirror People – “Crime Scene”, de Vasco Mendes, Nice Weather For Ducks – “On The Sand By The Sea”, de Casota Collective, Nuno & The End – “The Fairies Song”, de Cristina Vieira, Samuel Úria – “Carga de Ombro”, de Ricardo Oliveira, Terra Livre – “Start a Revolution”, de Catarina Severino, Terrakota – “Social Insecurity”, de Rafael Espinel, The Wax Flamingos – “Road“, de Ricardo Vieira Lisboa, Toques do Caramulo – “Pena Verde”, de Ana Filipa Flores, Vaiapraia e as Rainhas do Baile – “Snifa Cola / Kate Winslet”, André Marques, e Xinobi – “Far Away Place”, de Rui Vieira. A sessão, com entrada gratuita, tem lugar na Sala 2 do Cinema São Jorge, às 18h de 17 de novembro, sexta-feira.

No palco internacional contamos com Adina E – “Changing”, de Yoni Goodman, Anna.lee – “Vampire Love“, de Andrei Zaitcev, Barro – “Ficamos Assim”, de Lorena Calábria e Mariana Zdravca, Dürerstuben – In Trow, de Marcus Hanisch, Dürerstuben – “Reanimation“, de Marcus Hanisch, Femme – “Fire with Fire“, de Ben Mahon, Gerre – “Sobreviver”, de Guido Assenza Parisi, Florencia Kazr e Christian Refay, Igloo – “Gigante“, de Fran X. Rodríguez, Isan – “Parley Glove”, de Chan King Lam, Mui Cheuk Lam, Teo Qi Yu), Kleiton e Kledir – “Felizes Para Sempre”, de Mozart Albuquerque, Krist Zoubi – “Deniedeen”, de Hussien Amody, de Mark Lotterman – “Happy”, de Alice Saey, Obe Dve – “The Boy”, de Pavlo Buryak, Pepe Jara – “En la carretera slow return“, de Alberto Valero Payá, de Shiran – “Zehere”, de Vadim Mechona, Sundayman – “Alive”, de Angeliki Hatzi, Taller de Retazos – “Caminos“, de Juan Pablo  Rico, Unlove/Lucas Vidaur – “Instagram Witches & Brand New Grimoires“, de Cristina  García Zarzosa, Vigarioz Crod Alien – “8 E poco”, de Catpee, Wonggoys – “Never Too Late”, de Vanessa Tee, e Zebra – “Tree Song”, de Marwan Abdalla. A sessão, com entrada gratuita, tem lugar na Sala 2 do Cinema São Jorge, às 18h de 17 de novembro, quinta-feira.

Os jurados do Muvi 2017

O produtor João Abreu, o assessor de imprensa João Pinho e a jornalista Margarida Caetano compõem o júri das Odisseias Musicais, palcos nacional e internacional, a secção de longas-metragens do Muvi. Nos Sonetos Cantados, palcos nacional e internacional, a secção das curtas-metragens, a escolha recaiu sobre o diretor de fotografia Carlos Isaac, o talentoso fotógrafo Mário Pires e o ator e radialista Paulo Lázaro. A jornalista Lia Pereira, o fotógrafo José Goulão e o realizador Paulo Prazeres receberam a tarefa de avaliar as Canções Com Gente Dentro, palcos nacionais e internacionais, a secção de vídeos musicais do Muvi -Festival Internacional de Música no Cinema.

“Living On Soul”, “A Fábrica de Nada” e as restantes sessões não competitivas

Domingo, o dia não competitivo do festival, inclui “Living On Soul” (Sessão de Encerramento, Sala Manoel de Oliveira, 18h30, 19.11), de Cory Bailey e Jeff Broadway, filmado em ultra hd e com um som primoroso, este documentário constituí a derradeira oportunidade de assistir ao encontro de Charles Bradley e Sharon Jones no mítico Apollo Theater, em Nova Iorque; “A Fábrica de Nada” (Sala Manoel de Oliveira, 15h, 19.11), de Pedro Pinho, um convite à reflexão social do mundo que vivemos com um toque subtil de musical, um filme sublime que merece ser visto na sala principal do Cinema São Jorge, por um preço convidativo (4 euros; 3,5 euros para menores de 25 e maiores de 65; 2 euros para desempregados, tal como todas as restantes sessões pagas do Muvi); “Dentro da Casa 8” (Sala 3, 15h30, 19.11), de Nuno A. Rocha, com a participação de Rui Reininho, Ivo Canelas, Ana Ferrão Sara Ribeiro ou Tiago Pereira, o documentário aponta, com solidez, para o livro “CA8A”, da fotógrafa Margarida Rodrigues (MAR, autora de “With The Absolute Heart of the Poem of Life”, exposição em destaque no Muvi 2017); e “Dollar Llama: This Is Grand Union”, de José Dinis, um imperdível documentário sobre os 15 anos da banda rock lisboeta Dollar Llama.

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Sessões gratuitas na sala 2

Nas sessões gratuitas, além das competições nacional e internacional de vídeos musicais (Canções Com Gente Dentro), incluem-se documentários produzidos no mundo inteiro com o melhor dos Festivais de Música em 2017 (Sala 2, 18h, 15.11), o melhor de 2017 na produção da Videoteca Bodyspace e do Canal 180 (Sala 2, 21h, 15.11), celebram-se os 15 anos da produtora icónica Droid I.D. (Sala 2, 21h, 16.11), com a exibição de documentários e um evento de vjing no foyer a partir das 23h30, e a difusão de “AZ-RAP: Filhos do Vento” (Sala 2, 18h, 19.11), curta que documenta o lado real do hip-hop numa cultura e identidade próprias, onde a insularidade açoriana é fonte de inspiração.

No debate “Agora sim, damos a volta a isto – o ativismo no cinema e na música” (Sala 2, 21h, 17.11) haverá ativismo, cinema e música com moderação de Luís Humberto Teixeira e a participação especial da cantora Joana Barra Vaz, do radialista João Carlos Callixto e do músico Pedro Silva Martins.

Na rubrica “O Músico e o Seu Instrumento” (Sala 2, 18h, 18.11) o fotógrafo Mário Pires convida os músicos Electric Man, Iguana Garcia e Tiago Saga para apresentarem os seus inseparáveis instrumentos.

A sessão especial “25 anos do álbum de estreia dos Sitiados” (Sala 2, 21h, 18.11) incluirá um debate e a transmissão de alguns dos principais registos videográficos desta singular – e para muitos fundamental e inesquecível – banda portuguesa.

Também na sala 2, domingo, às 16h, haverá um “Cine-concerto solidário” de Charlie Mancini, autor da banda sonora do documentário “Mar de Sines”, que regressa ao Muvi para musicar “Seven Chances” (1925), de Buster Keaton. Recomenda-se um donativo de valor indefinido, uma vez que o cine-concerto tem o propósito solidário de auxiliar os refugiados que vivem em Lisboa.

Os concertos do Muvi 2017

Em 2017 o Muvi arrumou duas atuações por dia na sexta-feira 17, sábado 18 e domingo 19 de novembro, às 23h30 na sexta e sábado e às 21h30 no domingo. A entrada terá o mesmo custo de um bilhete de cinema, ou seja 4 euros (3,5 euros para menores de 25 e maiores de 65; 2 euros para desempregados). Sexta, às 23h30, atuam as Clementine e às 00h45 os Lâmina. No sábado, às 23h30, apresenta-se Iguana Garcia e às 00h45 Electric Man. No domingo, um pouco mais cedo, às 21h30, atua Acid Acid e às 22h45 Homem em Catarse.

As exposições do Muvi 2017

Desde a primeira edição o Muvi tem tido a preocupação de dar vida e cor aos bonitos expositores do Cinema São Jorge. 2017 não é exceção com “At the Movies”, da pintora Catarina Cesário, “As Lendas de 1967 – Portugal em Tons de Pop”, do arquivista e radialista João Carlos Callixto e “Festival Músicas do Mundo de Sines – 20 anos“, onde se combinam 40 imagens absolutamente incríveis do fotógrafo Mário Pires.

Motivos mais do que suficientes para visitar o Cinema São Jorge, em plena avenida da Liberdade, no centro de Lisboa, onde a música e o cinema terão abrigo, de 15 a 20 de novembro, na quarta edição do Muvi – Festival Internacional de Música no Cinema.

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