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Música

Published on Novembro 17th, 2017 | by Alexandra Silva

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O livro de Micah P. Hinson no Musicbox

Micah P. Hinson chegou ao palco do Musicbox, na passada terça-feira, de mochila às costas, cigarro eletrónico no canto da boca e guitarra a tiracolo. Depois de ter estado agarrado às drogas, preso e a viver nas ruas as canções do cantautor americano têm tanto de profético como de errante. Trouxe “Holly Strangers” para discutir as várias visões do cristianismo.

“O livro de Micah” é um dos 12 livros escritos pelos chamados “profetas menores” do Antigo Testamento. Micah P. Hinson, nascido no Texas no ano da graça de 1981, compôs recentemente “Holy Strangers”, uma opera folk moderna, como o próprio definiu, que teria 28 canções e mais de três horas. O disco editado é bastante mais curto e serviram essas canções de base à tour que andou a solo a fazer pela Europa e que encerrou em Lisboa.

“Holy Strangers” narra uma história de guerra que começa com o (apropriado) tema “Temptation”. Foi também com ele que Micah começou o seu concerto para um Musicbox composto mas, sabemo-lo, a merecer mais público. Desenrolaram-se muitas das canções do disco, com forte presença de temas como a morte, casamento, crianças e assassinatos.

Originalmente gravado com instrumentos analógicos foi na guitarra e com a ajuda até do telemóvel que Micah preencheu o palco. Ele e a sua voz que não é coisa de somenos pois se entre cada música conta um pouco da mesma, de si, ou de período que tem passado sozinho na estrada, quando se coloca ao microfone – ele próprio bem retro – preenche qualquer espaço de vazio que os parcos instumentos poderiam não ocupar. “Great Void”, “Lover’s Lane”, “The Darling” ou “The Lady From Abilene”, para enumerar alguns, são temas deste novo disco que Micah P. Hinson tocou na intimidade do Musicbox. Mas houve lugar a uma incrível versão de “This Old Guitar” John Denver, condizente com o autocolante da usada por Micah no concerto que diz «This guitar kills fascists».

Numa viagem a lânguidos temas passados houve espaço para “Micah P. Hinson and the Pioneer Saboteurs” (2010) com “Take Off That Dress For Me” ou “Micah P. Hinson and the Opera Circuit” (2006) com “She Don’t Own Me”. E aqui os arrepios foram generalizados.

É com muito humor, muitos «fuck this and that», a peculiaridade das chaves (serão de casa?) e um abre-latas pendurados num fio ao peito que Micah P. Hinson conduz o concerto que mais poderia ser uma espécie de liturgia pois aqueles que ali estão absorvem cada palavra, cada letra, que tem tanto de existencialista quanto de espiritual. Que volte depressa.

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