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Published on Dezembro 29th, 2017 | by festmag

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Balanço 2017: discos do ano

No ano em que quer a produção internacional quer a nacional deram muitos e bons frutos a equipa da Festmag fez uma espécie de balanço selecionando um conjunto de discos que podem ser os melhores do ano, os mais ouvidos ou simplesmente aqueles que marcaram momentos do ano que agora finda.

Aldous Harding, Party, 4AD
Quem não precisa de um disco destes por ano? Quem não precisa de se apaixonar descontroladamente a cada 365 dias? “Party” é tudo isso… uma paixão assolapada, doentia e arrastada.

Noga Erez, Off The Radar, City Slang
Chega de Israel um dos melhores discos de 2017. “Off The Radar” é uma impressionante obra de produção em estúdio. O alt-pop de Noga é uma longa caminhada por estilos, cores, odores e sabores que não se esgota e não nos esvazia.

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Slowdive, Slowdive, Dead Oceans
Um disco datado não faz de nós velhos, antes pelo contrário. A persistência dos anos dá-nos  uma sabedoria imensa e os Slowdive souberam fazer este quarto disco com um caráter imenso. AA

Big Thief, Capacity, Saddle Creek
Um dos discos mais bonitos e melancólicos do ano, que equilibra amor e raiva esgravatando as profundezas da intimidade de cada um. Quem não se revir aqui e ali, não viveu. Quem não se arrepiar com “Coma” ou “Mythological Beauty” não tem sentimentos.

Feist, “Pleasure”, Polidor
Um pequeno prazer que tem tanto de sujidade como de doçura e que marca o regresso de Feist às edições discográficas. Para ouvir repetidamente “I wish I didn’t miss you” e a fabulosa “Century” com Jarvis Cocker.

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King Krule, The OOZ, True Panther Sounds
Poesia pura saída do pequeno enorme génio que é o raquítico Krule. O disco mais inteligente e assertivo do ano, certamente o mais difícil e complexo e o mais bem escrito. Poesia pura, repito. AS

Jessie Ware, Glasshouse, Island Records
Ao contrário dos seus dois álbuns anteriores, o de 2012 “Devotion” e o de 2014, “Tough Love”, onde havia uma grande similitude harmónica entre temas, neste “Glasshouse” a cantora apresenta-se em registos diferentes consoante a canção que interpreta. As colaborações com Benny Blanco, Cashmere Cat e Happy Perez criam a ideia de que Ware poderá estar a tentar desviar o foco de atenção sobre ela própria. Se pretendia passar despercebida… não resultou.

Moonspell, 1755, Napalm Records
Desde que nasceram em 1992 que são bombardeados com a pergunta “Então e cantar em português?”. Finalmente os rapazes decidiram fazer-nos a vontade em 2017 e brindaram-nos com o estrondoso “1755”. A escolha da palavra “estrondo” não é por acaso – o disco é inspirado no grande terramoto de Lisboa de 1755, que lhe dá título, e surge num ano marcado pela imensa catástrofe dos incêndios. É para ouvir em “repeat”.

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Pink, Beautiful Trauma, RCA Records
Por alguma razão Pink foi a escolhida para abrilhantar a edição deste ano dos MTV Video Music Awards. A presença fica para a história não só por causa do porte atlético da artista, ou pela sua atuação em modo medley-best of, mas também por causa do discurso em que explica à filha Willow várias questões relacionadas com a auto-estima. No álbum “Beautiful Trauma” volta a mostrar-nos que não é rapariga para ficar de boca fechada com várias mensagens de empowerment feminino. A respiração de Pink é muito audível nos temas mais calmos. Gosto tanto. DA

Orelha Negra, Orelha Negra, Rastilho Records | Slow J, The Art of Slowing Down, independente | Surma, Antwerpen, Omnichord Recors
Sem favor nenhum, num ano em que ouvimos excelentes novos discos de Arcade Fire, Beck, Bjork, Broken Social Scene, LCD Soundsystem ou The National, escutámos ótimos discos nacionais. Estes três foram os que tiveram maior frequência nos tocadores de discos. Aguardemos os futuros capítulos dos incansáveis Slow J e Surma, uma vez que a terceira ‘temporada’ dos Orelha Negra não oferece qualquer dúvida quanto à sua pertinência. FP

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Future Islands, The Far Field, 4AD
O álbum que não aparecem em nenhuma lista deste ano ilustra os melhores momentos e a felicidade deste ano. Orelhudo, cheio de hinos às emoções, é disco em jeito de fiel companheiro.

Laura Marling, Super Femina, More Alarming Records
No ano em que mais que nunca as mulheres saltam para a ribalta da revindicação, Laura Marling uma vez mais insurge-se, afirma-se e reivindica. Sem pudores ou preconceitos canta-se a si, ser humano mulher.

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Spoon, Hot Thoughts, Matador
É rock com substância, gingar poético. A banda americana do Texas continua a desbravar caminhos da psicanálise pelos trilhos rock. Quase com duas mãos cheias de álbuns continuam a ter o que dizer. PBA

B​lack Angels, Death Song, Partisan Records
Os Black Angels confirmaram (mais uma vez) que são uma banda à parte no seio do movimento dos últimos anos em que o revivalismo psych domina. Uma mestria suprema na composição de temas que não só nos agarram de início como conseguem-nos surpreender passadas alguma audições. Cada vez mais uma das bandas mais importantes quando se fala de rock feito neste século.

King Gizzard and the Lizard Wizard, Murder Of The Universe, Heavently Recordings | Flying Microtonal Banana, Heavently Recordings | (c/ Mild High Club) Sketches Of Brunswick East, Heavently Recordings | Polygondwanaland, Disponibilizado na internet
Os australianos ​​King Gizzard and the Lizard Wizard devem andar a tentar bater algum recorde. Se o conseguiram, lançando num ano civil mais discos do que qualquer outro artista no passado, não sabemos, mas o que é certo é que não se pode falar em música feita em 2017 sem os mencionar.
A banda lançou em 2017 quatro (!) discos em que a mistura de garage rock, psych, surf music, prog, jazz e folk atinge novos patamares. É quase um mundo para descobrir e admirar.

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Slægt, ​​Domus Mysterium, Ván Records
Dinamarqueses de origem, os ​​Slægt ‎destilam em Domus Mysterium uma mistura fresca de black metal com toques dum heavy metal mais clássico, resultando numa sonoridade que nos soa familiar e surpreendente ao mesmo tempo. Parece estranho, certo? É ouvir e confirmar. PG

Escolhas de António Antunes, Alexandra Silva, Daniela Azevedo, Filipe Pedro, Pedro Beja Alves e Pedro Guimarães.

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