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Música

Published on Dezembro 30th, 2017 | by festmag

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Balanços 2017: os melhores concertos

Foi um ano carregado de bons concertos. São de muitos países e atuaram em muitos sítios diferentes os artistas que de uma forma ou outra tocaram na equipa da Festmag.

Molly Burch @ CAV – Centro de Artes Visuais, Coimbra, 23 de setembro

Aquele concerto que é a coincidência que todos nós gostamos. No ano que Molly Burch lança um disco extraordinário, “Please Be Mine”, a Lugar Comum (que nunca falha) esgota o CAV e dá-nos um concerto intimista que arrasa com todos os nossos sentimentos.

Mão Morta @ Bons Sons, 12 de agosto

Foram três os concertos de Mão Morta que vi 2017 e é certo que foram todos excelentes e de um profissionalismo incrível. Mas que aconteceu em Cem Soldos, naquela abrasadora noite de agosto, foi a demonstração que os Mão Morta são a melhor banda portuguesa de sempre.

Linda Martini vs. The Legendary Tigerman @ Salão Brazil, 7 de dezembro

O 2 em 1 do ano tirou-nos o coração pela boca. Dois concertos que foram uma enorme festa de música. Linda Martini a mostrarem que o que aí vem é muito bruto e Tigerman a demonstrar que há vida para lá da one man band. AA

Death Grips @ NOS Primavera Sound, 10 de junho

Porrada como gente grande. Foi o que se passou no palco mais escondido do parque da cidade, aquele que também é mais escuro e onde a alternativa à alternativa encontra sempre espaço para inovar. Hardcore com micro no rap, ritmo apunkalhado e sujo, muito sujo, como os corpos que sobreviveram à revolução.

Fleet Foxes @ Nos Alive, 8 de julho

“Crack-Up” é um dos discos mais bonitos do ano e a espera pelos meninos já ia longa: Mesmo sem Josh Tillman aka Father John Misty os Fleet Foxes continuam a manter o seu espírito pastoral e fazem tanto sentido num espaço religioso como numa pradaria. Ombreou este concerto com o de Ryan Adams dado no mesmo palco. A sensação extra-sensorial foi comum a ambos.

Kate Tempest, King Krule, BadBadNotGood, Benjamin Clementine @ Vodafone Paredes de Coura, 16 a 18 de agosto

Impossível dizer qual destes concertos foi o mais marcante no Couraíso. Sons intensos, músicos de outro mundo, sensação de partilha estratosférica. Momentos para recordar em vídeos e fotos, mas sobretudo no coração e nas rugas junto aos lábios, tantos foram os sorrisos, e junto aos olhos, tantas foram as lágrimas. AS

Aerosmith @ Meo Arena, 26 de junho

2017 é o ano do regresso aos anos 90 ao vivo. Dezoito anos depois de terem atuado pela última vez em Portugal (em 1999 no Estádio Nacional para o festival T99), os Aerosmith levaram do público português uma ovação estonteante naquela que terá sido a sua digressão de despedida – a “Aero-Vederci Baby!”. Simpático, divertido com os trejeitos de meio louco que sempre o caracterizaram, o homem da boca grande mostrou ter uma simpatia do mesmo tamanho e deu um concerto mágico.

Foo Fighters @ NOS Alive, 7 de julho

Depois de já terem estado no Alive em 2011, com Grohl, na altura, a tecer duras críticas ao som não analógico, os Foo Fighters voltaram a mostrar que mesmo quarentões, nada nem ninguém os segura; nem uma corda da guitarra partida logo no início do concerto. Fortes personagens rock, no Alive proporcionaram uma noite bem repleta de viagens pelos anos 90: com o público todo a vibrar e a aplaudir ‘Times Like These’ do álbum “One by One” e, antes da 1h00, ‘Walk’, de 1994. Pelo meio ficaram ‘Learn To Fly’, de 1999, o primeiro single a sair do terceiro álbum dos Foos e ‘The Pretender’ de 2007.

Boomtown Rats @ Festival de Vilar de Mouros, 26 de agosto

Já mais a norte, e apesar de ter dito que o rock tem os dias contados, Bob Geldof protagonizou uma atuação cheia de bons momentos desse estilo musical que em tanto engrandeceu os anos 80. Claro que os Boomtown Rats deram um concerto com músicas do século passado mas a banda está a acompanhar perfeitamente as exigências de hoje em dia: a presença é arrasadora, divertida e forte. DA

The Gift @Centro Cultural de Belém, 19 de abril

Pode haver amor sem violinos? Sim. Mas não nesta noite. A majestosa colaboração entre a banda de Alcobaça e Brian Eno teve honras de palco no Centro Cultural de Belém, e mais do que uma celebração dos The Gift, foi um verdadeiro momento bem passado com os fãs de sempre. “Clássico”, “RGB” e “The Singles” foram cantados em uníssono mas foi com “Malifest”, “Clinic Hope” e “Big Fish” que o espaço apertado da sala veio abaixo para a pista de dança em que se transformou o CCB.

Beach Boys @ Chicago’s McCormick Place, 1 de julho

Depois de um lamiré com Brian Wilson no NOS Primavera Sound, eis que este ano surgiu a oportunidade de ver em palco todos os Beach Boys, a fazer a festa com Pet Sounds. Se há momentos memoráveis na vida, este foi um deles. E a prova de que a música é intemporal estava ali. Com um público dos seis aos sessenta, fomos do oito ao oitenta num instante, ao som dos imortais “I Get Around”, “God Only Knows” e “Wouldn’t It Be Nice”, com uma pista de dança e movimento de anca à altura.

Liniker e os Caramelows @ Vodafone Mexefest, 24 de novembro

Festa, alegria e emoção. Com estes adjectivos poderíamos caracterizar o concerto de Liniker e Caramelows. Mas dizer concerto é redutor, pois foi muito mais do que isso. Foi uma entrega em palco, partilhada com o público, de todas as idades, géneros, etnias e feitios. De gostos e desgostos. Ali, foi partilhada a extrema alegria de estar vivo. Com dança e gargalhadas. Com saltos e roçares. Com amor. CDS

BCUC @ FMM Sines (28 de julho) | The Legendary Tigerman @ Rock Nordeste (17 de junho) | Mão Morta @ Vodafone Paredes de Coura (16 de agosto)

Com alguma repetição nos principais festivais portugueses, é curioso confirmar a frescura que anualmente sentimos em festivais como o Festival de Músicas do Mundo em Sines, o Milhões de Festa, Paredes de Coura ou Primavera Sound. Os BCUC têm uma rara intensidade, quase tribal, ao vivo. The Legendary Tigerman, com o novíssimo “Misfit” para descobrir na transição 2017/2018, e os Mão Morta, na revisitação do excelente “Mutantes S.21”, não deixaram ninguém indiferente nos seus concertos. FP

Elza Soares @ Nos Primavera Sound, 10 de junho

Porque se não bastasse tudo: a música, a vida, a carreira, a qualidade, a preserverança, o ritmo, a mensagem, o sofrimento, o hedonismo, tudo soa melhor quando se tem algo a dizer. Mais ainda quando há um público disponível para ouvir.

Young Fathers @ Vodafone Paredes de Coura, 18 de agosto

Da música à pose. Do essencial ao absolutamente desnecessário. Tudo é charme, música é muito ritmo. Imperdível.

The Blaze @ Pitchfork Music Festival Paris, 4 de novembro

Porque são o brilho, o fulgor, o esplendor, a chama, o arroubo. Pelo cuidado multidisciplinar de tudo o que apresentam. Porque  são chamas a arder. PBA

© Vincent Arbelet

Russian Circles @ RCA Club, 10 de março

Com este trio o clímax, o êxtase, a contemplação, o vislumbre de algo mais para lá da dimensão física que conhecemos são uma realidade palpável pela excitação que se sentia no ar antes e depois do concerto. Voltem quando quiserem. Nós estaremos lá.

Whores @ Sabotage Club, 25 de abril

Bastaram menos de cinco segundos do concerto dos Whores para se perceber que este seria um daqueles concertos especiais, para recordar daqui a uns anos, feito por malta que vive para isto e dificilmente disto. Este trio de Atlanta tem apenas um disco editado, urgente, cru, in your face, um daqueles exemplos em que a atitude e a sujidade clássica do noise, se aliada à capacidade para criar ganchos melódicos. O disco mereceu destaques e este concerto merece-o, certamente.

The Dillinger Escape Plan @ VOA Fest, 6 de agosto

Tratava-se de um dos últimos concertos de sempre (embora nestas coisas nunca se saiba) dos The Dillinger Escape Plan, uma das mais geniais, autênticas e demolidoras máquinas de destruição sonora a surgir nas últimas décadas. A banda não atuava em Portugal há 13 ano e ficou admirada com a (merecida) receção que lhes foi feita. Não irão voltar mas ninguém vai algum dia esquecer “aquilo”.

Em mais um ano de vários concertos seguramente inesquecíveis, as minhas três escolhas incidem sobre concertos sobre os quais tentei escrever umas linhas para vos dar uma pequena ideia do que tinha visto. De todos os que vi, decidi escolher The Dillinger Escape Plan no VOA Fest, Whores. no Sabotage Club e Russian Circles no RCA Club. Como menções honrosas poderia falar nos Royal Blood no NOS Alive, Deftones no Super Bock Super Rock, Acherontas no Under The Doom V ou At The Drive-In no Vodafone Paredes de Coura.

Quanto a concertos extra-Festmag, estão ainda cravados na memória Mayhem, Inquisition e Oranssi Pazuzu em Barroselas e The Dillinger Escape Plan, Alcest, Regarde Les Hommes Tomber, Monster Magnet, Electric Wizard, Emperor, Nails e Nostromo no Hellfest. Venha 2018! PG

Escolhas de António Antunes, Alexandra Silva, Cátia Duarte Silva, Daniela Azevedo, Filipe Pedro, Pedro Beja Alves e Pedro Guimarães.

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