Forest Swords na ZDB: viagem introspetiva
O multi-instrumentista Forest Swords proporcionou na Galeria Zé dos Bois uma viagem inter-galática ao cerne dos nossos próprios pensamentos.
Matthew Barnes de seu nome deu-se a conhecer à música dos anos 10 com alguns EPs e o álbum de estreia “Engravings”, em 2013, surpreendendo os devotos da “música psicologicamente densa” sobretudo por conseguir inovar dentro da cena. O ambiente psicadélico, aqui e ali quase lunar, que o disco trouxe – e a posterior materialização em palco – deixaram imensa expectativa para o seu sucessor.
Saiu este ano “Compassion” com o selo da Ninja Tunes, um registo profundamente introspetivo que não abandona, ainda assim, o pedido a que o corpo viaje também pontualmente. Ao vivo as novas músicas arquitetam-se em camadas de sons criadas pelo também circunspeto Barnes e auxiliadas por James, baixista de palco, e pela narrativa sugerida nas imagens projetadas em fundo. O som é minimal, boa parte do tempo, mas adensa-se a cada frame e a cada novo loop, e se em “Compassion” essas variações não faltam, ao vivo tornam-se ainda mais evidentes.
Não será possível sequer catalogar a música de Forest Swords, ainda menos após este concerto para sala cheia, onde se misturaram vários géneros, influências e coordenadas, já que num mesmo tema podemos emocionar-nos com peças minimalistas ao piano para de repente acordar com sons tribais e eletrizantes. Esta união entre o som e o vídeo é, aliás, uma potente marca de Forest Swords que ao vivo conduz à viagem, mas também em casa, através da escuta dos discos, carimba facilmente o passaporte para diversas coordenadas geográficas.
A fluidez com que Matthew Barnes maneja teclas, pedais, sintetizadores e microfones fazem-nos crer estar perante uma espécie de guru que ao mesmo tempo que fortalece a presença aqui na Terra, acaba por conseguir fazer-nos sentir asfixiados perante a grandeza do Universo. Mais que um concerto, este foi um momento de introspeção.
Fotografia: Vera Marmelo
Os nossos agradecimentos à ZDB



