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Música

Published on Janeiro 30th, 2018 | by Filipe Pedro

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FMM Sines faz 20 anos e já tem primeiros convidados para a festa

A menos de sete meses do arranque do 20.º Festival Músicas do Mundo, marcada para 19 a 28 de julho de 2018, a organização divulgou os primeiros nomes.

Para a viagem de 2018, e seguindo uma ordem alfabética, o primeiro nome confirmado é Alsarah & The Nubatones, projeto liderado pela cantora sudanesa Alsarah, que apresenta uma visão contemporânea da herança musical da Núbia. A segunda confirmação, Antibalas, é um objetivo antigo do FMM Sines, uma orquestra nova-iorquina pioneira na divulgação do afrobeat às novas gerações. Em 2018, o FMM Sines vai contar também com a presença da banda turca BaBa ZuLa, representante destacado do rock produzido na cena mais underground e cosmopolita de Istambul. Kimmo Pohjonen, o músico cuja abordagem ao acordeão revolucionou a música finlandesa de raiz tradicional, volta ao festival para um concerto em que será acompanhado pelas filhas. Finalmente, está também confirmada a presença do coro Ladysmith Black Mambazo, grupo lendário da música popular sul-africana, vencedor de quatro Grammys, entre 19 nomeações.

Dividida entre Porto Covo e a cidade de Sines, esta edição comemorativa do festival promete ser fiel à sua história e valores, apresentando-se como uma viagem pelo melhor que as músicas do mundo tem para oferecer nos dias de hoje, promovendo a abertura ao Outro pela via da expressão artística.

Com Alsarah & The Nubatones, viajamos para a memória dos sons da África Oriental, mais precisamente para a Núbia, região entre o Sudão e o Egito onde germinou uma das primeiras civilizações de África. A cantautora Alsarah nasceu em Cartum, no Sudão, mas vive em Nova Iorque desde 2004. Como líder da banda The Nubatones já gravou dois álbuns, documentos de um estilo descrito como “retro-pop leste-africano”. As “canções do regresso” núbias, a experiência da emigração vivida na pele, o amor pela riqueza dos sons pentatónicos e os recursos da música eletrónica são as linhas com que se cosem as suas composições.

Formada em Nova Iorque em 1997 pelo saxofonista Martin Perna, esta orquestra de 12 elementos Antibalas foi pioneira na apresentação do afrobeat às novas gerações norte-americanas. Vinte anos depois, já não é a única orquestra de afrobeat dos EUA, mas continua a ser um caso à parte, sobretudo pela qualidade dos seus desempenhos ao vivo. A estreia em Sines acontece na sequência do lançamento do terceiro álbum, “Where The Gods Are In Peace”. No som, a base funk está agora expandida por texturas atmosféricas e psicadélicas. Nas letras, são fiéis à história de denúncia e protesto do afrobeat.

Depois de em 2017 ter dado a conhecer a cantora Gaye Su Akyol, o FMM Sines 2018 volta a colher na cena underground de Istambul para apresentar BaBa ZuLa. Formada em 1996, a banda cruza instrumentos tradicionais orientais com eletrónica e sons contemporâneos. Extravagantes em palco, onde tudo pode acontecer, são considerados os representantes mais destacados do rock psicadélico de Istambul. A formação, uma miscelânea de oriente, ocidente e fantasia, é composta por Melike Şahin (voz), Levent Akman (colheres de pau, percussões, máquinas, brinquedos), Murat Ertel (saz elétrico, cordas, theremin), Özgür Çakırlar (darbuka e percussões) e Periklis Tsoukalas (alaúde elétrico).

Kimmo Pohjonen ‘Skin’ será um acontecimento musical, mas também afetivo. O homem que revolucionou a abordagem ao acordeão na música de raiz tradicional finlandesa estará acompanhado em palco pelas filhas Inka e Saana. O concerto é inspirado no álbum “Sensitive Skin”, que Kimmo lançou em 2015, a etapa mais recente da sua viagem por territórios sonoros até aqui inexplorados pelo acordeão. Ao repertório do álbum, irão juntar-se em concerto outras composições, focadas no deambular do acordeão atmosférico de Kimmo, ladeado pela guitarra de Inka e pela bateria de Saana. Os três participam com a sua voz e os sons eletrónicos pairam como um quarto espírito que se junta ao trio.

Ladysmith Black Mambazo é um ícone da música sul-africana. Desde a sua colaboração com Paul Simon, no álbum “Graceland”, à sua viagem com Nelson Mandela para a cerimónia de entrega do Nobel da Paz, têm sido responsáveis por levar a música coral dos mineiros e camponeses zulus a públicos do mundo inteiro. Formados no início da década de 60, têm mais de seis dezenas de álbuns gravados, 19 deles nomeados para os Grammy e quatro a ganhar o prémio. Depois de o fundador do grupo, Joseph Shabalala, se ter retirado em 2014, são agora os filhos Thulani, Sibongiseni e Thamsanqa a preservar o legado e a transportá-lo para o futuro.

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