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Música

Published on Fevereiro 13th, 2018 | by António José Antunes

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Reportagem | Moon Duo: o lado quente da Lua

Os Moon Duo tocaram no sábado no Salão Brazil e mostraram como têm um pé junto de Deus e outro próximo do Diabo.

É uma maravilha, quando coisas destas me caiem no colo. Como sigo a carreira de Ripley Johnson jáfhá algum tempo, posso afirmar com alguma legitimidade, que considero os Moon Duo, formados em 2009 em San Francisco, uma banda amiga, que me acompanha já há alguns anos.  A banda de Ripley Johnson (guitarra) e Sanae Yamada (teclas e outra maquinaria), editaram os dois volumes de “Occult Architecture“, que andam a apresentar o seu drone-psicadelismo eletrónico um pouco por toda a Europa.

E se esta semana a Europa ficou marcada por uma vaga de frio, no Salão Brazil ficámos marcados pelo intenso calor humano com que foram recebidos os Moon Duo. Com o habitual clima familiar o Salão Brazil converteu-se num autêntico clube de rock, que poderia ficar em Berlim, Londres ou Nova Iorque, e onde toda a parafernália de luzes, fumos e diversas projeções deram o toque de mestre para aquela que viria a ser uma noite memorável.

Acompanhados em palco por um terceiro elemento na percussão e em em plena concentração, deram início à noite com “The Dead Set”, seguindo sem paragens para “Sleepwalker”, “Cold Fear”, “White Rose”. Com um curto regresso ao passado ouvimos “Seer” do disco de “Mazes” (2011), para uma sequência final com “Night Beat”, “Sevens”, terminando o concerto ao som de “Free Action” retirado o do álbum “Circles” (2012).

Se até aqui tinha sido perfeito, o encore foi de génios: “Jukebox Babe” de Alan Veja (Suicide) e “No Fun” dos The Stooges acabaram com o resto das dúvidas. Os Moon Duo são uma banda, que nos faz correr o sangue nas veias a uma velocidade quase sónica, são contemplativos, assertivos e eficientes.

Com a demonstração ao vivo da imponência de “Occult Architecture Vol. 1 & Vol. 2” (2017), os Moon Duo indicam que caminham na linha ténue que separa aquele tendência funesta e sombria do rock & roll psicadélico e o lirismo da alegria pura de festa que o mesmo transmite. Não existe um formato definitivo, existe sim uma desmedida manta de retalho sonoro, mas que ao ser rematada com aquela enorme perícia, se transforma numa lindíssima e delicada tapeçaria. Os Moon Duo são uma quase viagem espacial, se às variações selváticas da guitarra de Johnson e os padrões enigmáticos dos teclados de Yamada, adicionarmos a bateria de Jeffrey, temos os condimentos necessários para fazer despontar uma peça singular e homogénea. Os Moon Duo repartem assim os louros entre Deus e o Diabo, de um lado o profano, do outro o divino; com uma mão hipnotizam, com a outra esbofeteiam, mas é deste equilíbrio que nasce a alegria e a criatividade da sua música.

Os nossos agradecimentos ao Salão Brazil

Fotos de António Antunes

Post Scriptum: uma chamada de atenção, para o outro projecto de Ripley Johnson, os Wooden Shjips, que irão ter novo álbum muito em breve.

Alinhamento:
The Death Set
Sleepwalker
Cold Fear
White Rose
Catch as Catch Can
Seer
Night Beat
Sevens
Free Action

Encore:
Jukebox Babe (Alan Vega cover)
No Fun (The Stooges cover)

 

 

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